Contaminação da economia global

O mundo vive atualmente um ambiente de incertezas. A propagação do coronavírus tornou-se uma Pandemia, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) no dia 11 de Março deste ano. A partir de então o mercado financeiro passou a experimentar forte turbulência e as bolsas do mundo inteiro têm oscilado bastante desde então.

Em 2019, com a diminuição dos juros da Taxa Selic no Brasil, as aplicações de renda fixa (Poupança, Tesouro Direto, CDBs) se tornaram pouco atrativas e muitas pessoas passaram a se direcionar para a bolsa de valores, a qual apresentou cenário de alta, chegando à casa dos 119.000 pontos. Porém, com a verdadeira montanha russa do mercado de ações nos últimos dias, os investidores têm sofrido fortes perdas. Ontem (18/03), o Comitê de Política Monetária (COPOM) diminuiu a taxa Selic de 4,25% a.a para 3,75% a.a, a menor da história da economia brasileira e o Ibovespa atingiu o patamar de 66 mil pontos.

Não somente o mercado financeiro, mas também a economia real tem sofrido efeitos pesados oriundos do Coronavírus. Muitas empresas estão diminuindo suas atividades por conta da queda na demanda, como as companhias aéreas e o setor de turismo. Para se ter uma ideia, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), o turismo global contribui com US$ 8,8 trilhões por ano para a economia mundial. As companhias aéreas estimam perdas de receita entre US$ 63 bilhões e US$ 113 bilhões em 2020 por conta do vírus. Considerando ainda a diminuição das atividades econômicas na China, o efeito é em cadeia, atingindo também as indústrias e contaminando o sistema econômico.

No Brasil, o vírus já está presente em 19 estados e no Distrito Federal (DF). Em todos os outros há casos suspeitos. Como a propagação do COVID-19 é muito acelerada, a incerteza sobre o que acontecerá com a saúde dos brasileiros é alta. O mesmo vale para a saúde da economia brasileira, a qual vinha mostrando alguns sinais de recuperação, ainda que fracos no final de 2019. 

No Pará, que ontem (18/03) teve o primeiro caso confirmado oficialmente, a situação merece atenção. Na região metropolitana de Belém, que possui aproximadamente 2,5 milhões de habitantes (segundo o IBGE), a proliferação do vírus pode ser rápida. Como a base da economia da capital paraense é composta em boa parte pelo setor de comércio e serviços, vale a máxima de que prevenir é melhor que remediar nesse caso. Os efeitos podem ser perversos, principalmente aos pequenos negócios, profissionais autônomos e trabalhadores informais, caso não sejam tomadas as medidas necessárias, seja pelo poder público, seja pelas empresas, seja pela sociedade. 

E para as pessoas em geral, adicionalmente aos cuidados com o vírus, o que por si só já é muito, há também os cuidados financeiros. Num ambiente de incerteza, manter a liquidez, ou seja, ter dinheiro disponível, é importante. É fundamental também fazer um planejamento financeiro específico para o momento atual, reorganizando gastos e reduzindo desperdícios. Além disso, a crise pode ser oportuna para quem ficar em casa adiantar estudos e encontrar formas de ter outras fontes de renda, seja durante o tempo que perdurar a pandemia, seja depois dela.

Não custa repetir. Lave as mãos corretamente, cuide de seus hábitos de higiene, ajude as pessoas dos grupos de risco da doença. Nesse momento a solidariedade é um ativo valioso para a recuperação da saúde de todos e para a recuperação econômica do mundo.

Texto: Conselheiro Corecon PA/AP Econ. Sérgio Felipe Melo da Silva

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